Apucarana

                                                                          Noel Nascimento



A Apucarana
a lua vai e volta
como o meu coração.

Apucarana em festa
eu danço, eu canto
	seresta.
Apucarana eu choro,
	eu sangro.
Pela Pátria,
por um mundo justo
eu luto.

Vou voltar a Apucarana,
pichar muro,
fazer comício,
greve e passeata,
distribuir panfletos,
sonhos e poesia.

É lá o mundo que eu queria:
céu aberto,
o paraíso longínquo
a um passo.
Em Apucarana
o sol fica mais perto.

Urbe de cobertura
que a lua passa raspando,
onde mora um povo amigo,
Em Apucarana
por amor eu brigo.

Vou gritar de novo:
"Terra a quem trabalha,
pão a quem tem fome",
e defender o camponês.

Voltar a Apucarana
é ser moço outra vez.

Vou levar um pato branco
entre velas e coroa de flores
em memória dos posseiros
mortos no Sudoeste.

Vou lembrar os heróis meninos:
eu sinto no peito a metralha
em Três Reis de Oliveira
e Idésio Brianési.

Não suporto a pasmaceira,
zoeira burguesa,
palavrório vazio:
	o inferno.

Escravos nas roças,
crianças nas ruas,
miseráveis nas cadeias.

Vou voltar a Apucarana
E derrubar o governo!