O Parque

                                                                          Noel Nascimento



Rodopiara a nave
em sentido inverso
às voltas que a Terra dá.
Tornara-me criança
num universo de brinquedo:
parque de diversões.


Armado entre archotes e luminárias,
a arquitetura celeste:
colunatas com capitéis, cornijas, folhas de acanto,
monumentos,
obras românticas, burlescas,
cenário colossal.


Fogos, girândolas, chuva de meteoros
iluminando-o.
Gente que aflui de planetas
e moradas satélites.


Percorre-se o parque num cometa,
e as constelações são carrosséis.


Anjos soltando balões,
empinando raias,
em balanças, gangorras,
velocípedes, aviões, foguetes,
chapéus-mexicanos solares.


Roda-gigante girando o mundo,
vertigem na montanha-russa,
uma nebulosa que despenca
	no Infinito.


Trens-fantasmas
nos buracos negros.


Quermesse,
circo de cavalinhos.


O teatro itinerante:
atores, saltimbancos, malabaristas, faquires,
equilibristas, acrobatas,
gênios engolindo espadas e labaredas.


Abarrotadas as tendas,
lojas e galpões.
Feira de jóias e quinquilharias,
bolas, bonecas, fantoches,
loterias, roletas, tiro ao alvo,
prendas.


Basta ser criança
de volta numa nave,
que a entrada é franca no Céu!