Paranaensidade

                                                                          Noel Nascimento



Brasilidade sulina,
sentimento caboclo,
caboclo ensimesmado na  colina.


Encontro de bravura guarani
e bandeirante,
suor e sangue
de negros escravos
e camponeses servos.


Da terra cobiçada
pelo ouro
e tesouros da flora e fauna,
dos braços dos rios que a envolvem
em correntezas de prata.


Águas em procissão lenta
		pelo Guaíra,
entoando cânticos gregorianos
com o coral de pássaros
até a queda nas cataratas
que estremece a Terra.


Nos pousos,
e então povoados florescendo
à beira do carreiro;
nos pousos
à sombra dos pinheirais;
na Rua das Tropas
que se encruzilha cintilante
na Vila Estrela
dos Campos Gerais;
nos pousos hospedando o mundo inteiro,
-nasceu o Paraná
		-seu espírito-
brasilidade sulina,
sentimento caboclo,
caboclo ensimesmado na colina.
Tropeiro levando as manadas,
derramando mate,
trazendo mercadorias,
sal, pólvora e chumbo;
tropeiro transportando
abraços, notícias, saudades,
esperanças dos imigrantes,
a bondade das raças,
muito sentimento nas bruacas;
tropeiro construindo a Pátria
nos pousos.


Tropeiro
que passou no céu e na terra
como se montara a mula-sem-cabeça
		e laçasse o boitatá.