Reprise

                                                                          Noel Nascimento



Ao ancorar a nave
à laje
entre ciprestes
no campo sacro,
liberta no espaço
minha alma há de alegrar-se
de saudades.


Tê-las já é reportar-me
à viagem como se estivesse em curso.


Não seja triste a despedida
qual se de um sonho
não houvesse reprise.


Há miríades de galáxias,
infinidade de astros
e até universos paralelos.
Numa nova nave,
por bondade divina,
hei de encontrar outra Terra,
um mundo igualzinho ao de outrora,
um mesmo sol, a mesma lua,
- a casa, as ruas, as pessoas -,
a cidadezinha no alto
reviver tudo como era,
amar e repetir a vida
da viagem finda.