A Nova História

Noel Nascimento

 

                 

                          

         Nas palavras de poeta, em seu confiteor, vislumbra-se a Nova História.

         Criança sentia em meu peito a ânsia de fazer um bem, mas sem saber como e, ao menos, distingui-lo. O inexplicável me levaria à literatura.

         Antes me tolhia a timidez, me encabulava em sala de aula ao ler em voz alta, se falasse em público. Só não me impedia de ser arteiro e travesso, afamado.

         Tinha paixão, encantado com o mundo, as pessoas, a natureza. Muita alegria de viver, a euforia me tornava até zombeteiro.

         Às vezes me surpreendem as lágrimas ao ouvir um “Va Pensiero”, “Mon Amour” (Concerto de Aranjuez), “La Paloma” ou belas melodias brasileiras. Sinto-me feliz, as lágrimas não são de tristeza, apenas de comoção.

         Palavras simples calaram fundo em minha alma, apreendendo-lhes o significado. Os nomes tenho no coração, neste estampadas as mais diversas formas de poesia da natureza. No entanto, são duas as palavras mais profundas que me vislumbram a Nova História. Deus e aquela que engloba num só Bem todos os valores da dignidade humana:

 – Fraternidade!

Esta é a palavra de abertura da Nova História. É o amor em toda plenitude, preâmbulo da era de paz e justiça anunciada no Sermão da Montanha. Nesta se inserem a eqüidade, o perdão e a caridade.

Não mais o mundo do caos, do fratricídio, genocídio, de conflitos entre pessoas, famílias, clãs, tribos, classes, religiões, regimes, nações. Um só o mundo sem fronteiras e preconceitos. Não mais “o homem lobo do homem” e a violência exaltada como “parteira da história”.

O homem fraterno será o fautor de Nova História, um período determinado pela lei de evolução das ciências da natureza e do espírito.

Após as cavernas, as hordas bárbaras, tiranias, houve nos últimos séculos conquistas como o fim da escravidão, de espoliação de camponeses, de mulheres e crianças, bem como consolidaram-se os direitos humanos, a democracia e a República, graças à ação das massas urbanas. Nesse contexto foi extremamente valioso o princípio de tolerância. Impérios ruíram, porém permanecem o colonialismo, as guerras, as violências, as injustiças.

Vejo, agora, a solução no ideal de fraternidade. Motivou-me a Nova Estética e O Novo Período Literário, convicto de uma Reconstrução e uma Revolução Cultural Humanista, de que a mais importante e crucial luta que se trava no mundo é na consciência do próprio homem, entre o Bem, o Amor a vencer o mal.

De caráter amistoso em mutação espiritual para o fraterno, já o brasileiro tem sido considerado o homem cordial. No país caldearam-se as raças, as classes, as diversas crenças, como no sincretismo religioso. O convívio comum, relações amigáveis, favorecem a comunhão de sentimentos, a boa-vontade.

Do Brasil irradia-se a luz da Nova História. A mensagem, em minha obra, é a de que um dia todos hão de ser felizes. Irmanemo-nos! Ampliai vossa visão além dos horizontes estreitos. A Terra é a pátria da humanidade:

         - Uni-vos pela Fraternidade